terça-feira, 23 de maio de 2023

24 de maio

 


24 de maio


1877 – Nioaque é elevada à categoria de freguesia


Decreto n° 506, assinado pelo presidente da província, general Hermes Ernesto da Fonseca (que viria a ser presidente da República), torna Nioaque freguesia, mudando-lhe o nome para Levergeria, em homenagem ao almirante Augusto Leverger, o barão de Melgaço. Os limites da nova jurisdição são os seguintes:

“...partido da confluência dos rios Miranda e Nioaque uma reta ao morro Azul na margem esquerda do rio Aquidauana; deste ponto Aquidauana acima, pela margem esquerda até a sua mais alta origem no lugar denominado Pontinha – no caminho para Camapuã; da Pontinha uma reta às cabeceiras do rio Sanguesuga e por este abaixo, margem direita até sua foz no rio Paraná; por este abaixo, margem direita até os limites do Império com a República do Paraguai; deste ponto os mesmos limites até o marco assentado nas cabeceiras do rio Miranda e por este abaixo, margem direita até a sua ligação com o rio Nioaque.” 



FONTE: Miguel A. Palermo, Nioaque evolução histórica e revolução de Mato Grosso, Tribunal de Justiça, Campo Grande, 1992, página 23.




24 de maio

1905 - Telégrafo chega a Porto Murtinho



Estação telegráfica de Porto Murtinho

É oficialmente entregue à população a estação telegráfica de Porto Murtinho. O major Rondon, chefe do serviço de extensão da rede, conforme ele mesmo conta em seu diário, deu, as 9 horas, “começo às transmissões de meus telegramas de comunicação da inauguração. Cedo apareceu Porto Murtinho, sendo este o primeiro sinal da perfeição da construção. Ao meio dia houve formatura para a leitura de minha ordem do dia, concernente à solenidade que nos entusiasmava a todos pelo hercúleo esforço empregado". 

Mais adiante, Rondon dá detalhes da missão cumprida:

Apesar dos mil contratempos causados pelas intermináveis chuvas, pela inundação de todos os rios transbordados, além de incontáveis dificuldades, conseguíramos realizar nossos planos de trabalho. Tanto vale querer e o saber escutar. Depois da leitura de minha ordem do dia terminada por um entusiástico “Viva a República”, dei por inaugurada a Estação e o serviço telegráfico, entregando ao tráfego 120 quilômetros de linha assentada, de Margarida a Porto Murtinho. Em seguida pediu a palavra um operário paraguaio que leu admirável discurso revelando espírito positivo e adiantado. (...) Dei completo descanso aos soldados e trabalhadores civis. O acampamento foi estabelecido, então, pela margem esquerda do córrego Noquem, do lado oposto à estação e ao estabelecimento da empresa Mate Larangeira.


FONTE: Ester Viveiros, Rondon conta sua vida, Cooperativa Cultural dos Esperantistas, Rio, 1969, página 190.

FOTO: extraída do Album Graphico de Matto-Grosso (1914).



24 de maio

1945 - Decidida venda da Miranda Estância




Estiveram reunidos em River Plate House, em Londres, Eastman Bell e o major Ronald Henry Walter Henderson, ambos decendentes dos fundadores da The Miranda Estância Company Limited. Esta seria a 3a. Assembléia Geral Ordinária da companhia, proprietária de extensa área de terra no município de Miranda, Sul de Mato Grosso, utilizada em atividades ligadas à pecuária.

Na ordem do dia a decisão de promover a venda da fazenda no Brasil, que seria alienada a um grupo de empresários brasileiros ao final dos anos 40, "vendida por trezentas mil libras esterlinas a um grupo de investidores brasileiros que incluías sobrenomes como Bueno, Monteiro de Carvalho, Vidigal e outros de igual calibre. Começava ali a era de um dos nomes mais lembrados da história de Miranda Estância: a época de Alfredo Ellis Netto, acionista administrador. Neto do senador Alfredo Ellis e sobrinho do notável historiador paulista Alfredo Ellis Jr., major Ellis, como o chamavam, era um aviador militar que se apaixonou pela região. Ao adotar um modelo personalista com seus empregados, de quem retirava o máximo de rendimento de modo informal, era visto como um 'bandeirante moderno, mas, paradoxalmente, avesso a modernismos. Perfil que não o impediu, no entanto, de criar uma nova raça de gado, a Cayuá, cruzando Chianina com nelore e Tucuras pantaneiros", segundo Luiz Alfredo Marques Magalhães.



FONTE: Cezar Benevides e Nanci Leonzo, Miranda Estância, ingleses, peões e caçadores no Pantanal mato-grossense, Fundação Getúlio Vargas Editora, Rio, 1999, página 3. Luiz Alfredo Marques Magalhães, Mato Grosso do Sul, fazendas,uma memória fotográfica, Editora Alvorada, Campo Grande, 2012, página 95.


24 de maio

2017 - Ex-prefeito de Campo Grande preso por lavagem de dinheiro




O ex-prefeito de Campo Grande, que assumiu com a cassação do prefeito Alcides Bernal, foi condenado a oito anos de prisão por crime de agiotagem, cometido durante a campanha eleitoral. A notícia foi publicada no dia do julgamento no Tribunal de Justiça, no site do Ministério Público Estadual:

"8 anos e 4 meses em regime fechado foi a condenação dada a Gilmar Antunes Olarte que exerceu o cargo de vice-prefeito Prefeito e  vice-prefeito de Campo Grande. O julgamento foi na manhã desta quarta-feira (24/5) no Tribunal de Justiça.

A ação penal foi julgada na Seção Especial Criminal, e o ex-prefeito respondeu pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele foi condenado por pegar folhas de cheque “emprestadas” de fiéis da igreja Nova Aliança e trocar por dinheiro com agiotas, além dele estavam envolvidos Ronan Edson Feitosa de Lima também acusado de corrupção passiva, e Luiz Feliciano por lavagem de dinheiro.

O Procurador de Justiça Edgar Roberto Lemos de Miranda foi o representante do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, na sessão de julgamento, e considera a pena justa, destacando que “vivemos novos tempos em que todos somos iguais perante a lei”.

Foram 5 anos de crime de corrupção passiva e multa e 3 anos e 4 meses por lavagem de dinheiro em regime fechado. Nem o acusado nem os advogados de defesa compareceram ao tribunal.

Os acusados foram condenados, nos termos da denúncia, pelo voto do relator Luiz Cláudio Bonassini da Silva, o Desembargador e revisor José Ale Ahmad Netto pediu vista, porém o Desembargador Jairo Roberto de Quadros se sentiu apto e justificou o voto, acompanhando o relator. O Desembargador Geraldo de Almeida Santiago da mesma forma votou com o relator. O Presidente da sessão Desembargador Carlos Eduardo Contar aguardava o voto do relator. O Desembargador Dorival Moreira do Santos sentiu-se apto e votou nos termos do voto do relator. Prosseguindo à votação, justificando sua decisão, e ainda  acrescentado que a decisão do relator poderia aplicar uma pena mais acentuada, o Desembargador Luiz Gonzaga Mendes Marques acabou por acompanhar o voto do relator, momento em que pediu a palavra o revisor desistindo do pedindo de vista e convencendo do acerto do voto do relator votou com este. Seguindo o mesmo caminho, o Desembargador Presidente da sessão o Carlos Eduardo Contar. Os réus foram condenados por unanimidade. A defesa tentou adiamento e o Desembargador relator indeferiu o adiamento e rejeitou as demais preliminares.

Por fim, os réus Ronan Edson Feitosa de Lima também acusado de corrupção passiva, teve a sentença arbitrada em 5 anos e 31 dias multa, mas como ele já cumpriu 7 meses em regime fechado, agora passa a cumprir menos 4 anos em regime semiaberto, já Luiz Feliciano acusado de lavagem de dinheiro pegou 1 ano de pena restritiva de direitos 

Entenda o caso

Gilmar Antunes Olarte é um contador, empresário, radialista, pastor evangélico e político brasileiro. Foi prefeito e vice-prefeito de Campo Grande, ficando afastado do cargo entre 25 de agosto de 2015 e 8 de setembro de 2016.

Gilmar foi investigado na Operação Adna, realizada em 2014 pelo Gaeco. O nome é alusivo à congregação fundada por Olarte: Assembleia de Deus Nova Aliança. Os réus são Olarte, Ronan Edson Feitosa de Lima (que está preso) e Luiz Márcio dos Santos Feliciano.

A operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) que denunciou o prefeito Gilmar Olarte (PP) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro foi batizada de 'ADNA'. A sigla identifica a igreja evangélica de Campo Grande da qual o político é fundador e pastor. Para o Ministério Público, ligações telefônicas interceptadas com autorização judicial ‘descortinaram’ as articulações de 'irmãos de igreja' para suposto esquema que teria levantado R$ 900 mil em empréstimos com agiotas mediante a promessa de vantagens na Prefeitura.

A denúncia apresentada investigou os crimes de corrupção passiva, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais, que teriam sido cometidos por membros da denominação evangélica.

A justificativa dada aos primeiros agiotas procurados por Ronan, era que o dinheiro seria usado para pagar dívidas ainda da campanha de 2012.

Texto: Waleria Leite/jornalista Assecom MPMS

Foto: Valdenir Rezende

Esgotados todos os recursos, Olarte foi preso, por esta condenação, em 5 de maio de 2021, por ordem do juiz Fernando Chemim Cury. O ex-prefeito chegou a ser condenado em outro processo por crime de corrupção.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

 teste